Thursday, October 20, 2011

O vagalume e o sapo

Meu pai me ensinou uma poesia que, até onde sei, seria de Catulo da Paixão Cearense:

O vagalume e o sapo

Em meio da espessura,
um vagalume a volitar,
a iluminar com sua lamparina
esperaldina
a noite escura.
Aproximou-se um sapo, repelente,
que lhe alvejando o vírus, iracundo,
fê-lo apagar sua luz fosforescente
caindo ao chão, já quase moribundo.
E o vagalume perguntou-lhe, então:
-"Ó sapo vil, imundo,
por que cuspiste sobre mim
teu vírus nauseabundo?"
E o sapo sapejou-lhe:
-"Se fosses mais sagaz
e se melhor pensasses
esta pergunta asnal não me farias.
Inseto luminoso! Eu não te cuspiria
se não tivesses luz,
se não brilhasses!"